Consumo e sociedade
- Ana Carolina Menezes
- 11 de dez. de 2018
- 5 min de leitura

O que você faz com seus pertences quando você não os quer ou não lhe servem mais? Doa? Vende? Joga fora? Não importa se eles percorrem um caminho mais longo ou mais curto, seus destinos finais provavelmente vão ser os aterros e lixões, e, acredite, esse é só um dos problemas quando falamos do modelo comercial vigente hoje.
Esse modelo segue um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados – literalmente – rápido. Este modelo de negócios depende da eficiência em fornecimento e produção em termos de custo e tempo de comercialização dos produtos ao mercado, que são a essência para orientar e atender a demanda de consumo por novidades a baixo custo, reabastecendo as prateleiras o mais rápido possível e incentivando o consumo desenfreado - o consumismo - que se tornou base fundamental da sociedade moderna. Alguns produtos até tem seu tempo de duração reduzido para incentivar sua substituição por outro, a partir do fenômeno conhecido como obsolescência programada.
Em uma sociedade de consumo, as pessoas adquirem produtos e serviços necessários para sua vida. Consumismo, ao contrário, é o ato de comprar produtos e serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo e descontrolado. Numa sociedade consumista, o consumidor é permanentemente incentivado a adquirir novos produtos através das propagandas que prometem felicidade, sucesso, aventura, amor e mais um milhão de coisas apenas a partir da aquisição de um determinado produto. Estudos apontam que a sociedade atual reconhece que o consumo é sinônimo de felicidade e bem estar, e até mesmo de prestigio e de status.
O problema é que há uma relação estreita e forte entre o consumismo, a sociedade e o meio ambiente. Isso porque para atender a demanda da produção e do consumo é necessário retirar matérias primas da natureza, fabricar e transportar materiais, fazer grande uso de energia elétrica e de água, entre outros. Tudo isso, gera emissão de gases poluentes, degradação e devastação ambiental, poluição geral e, consequentemente, a destruição de ecossistemas.
De acordo com relatórios de instituições respeitadas anunciam que a população mundial está consumindo muito mais do que o planeta terra pode oferecer, em se tratando de reservas existentes e a seu modo de regenerar-se. De acordo com a WWF, a população já está consumindo 30% a mais do que o ecossistema consegue repor. Em 2010 a World Watch Institute duplicou um artigo no qual informava que a população, anualmente extraí 60 bilhões de toneladas de matéria-prima bruta da natureza, e contrasta com o que retirávamos antes, há trinta anos atrás extraíamos 50% do total, nota do ano de 2010.
Além da emissão de gases na atmosfera, um dos principais problemas quanto ao consumo excessivo é a produção de lixo. No Brasil, anualmente produzimos cerca de 71 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Praticamente metade deste é composto por lixo orgânico, ou seja, comida, e a outra parte composta por materiais sólidos como plástico, borracha, papel, tecido, vidro, alumínio. Estes rejeitos provocam grandes impactos ambientais aos quais se destinam.
A cultura do consumo rápido, além disso, transformou bens produzidos para terem longa duração em produtos descartáveis, dos quais nos desfazemos, muitas vezes, sem nem mesmo usar. Baixíssimos preços são colocados nesses produtos para incentivar seu consumo compulsivo, assim como seu descarte.
A cobrança das empresas sobre os donos de indústrias de países de terceiro mundo por custos de produção cada vez mais baixos faz com que as pessoas que as produzem recebam baixíssimos salários e sejam submetidas a regimes de trabalho abusivos. Tudo isso para que os preços dos produtos sejam reduzidos cada vez mais. Essas indústrias não obedecem leis trabalhistas, empregam crianças e mantém os trabalhadores em condições insalubres de trabalho.
Como, então, podemos reorganizar nossa vida e consumir de forma mais informada e responsável?
1. FAIR TRADE
“Fair trade” significa “comércio justo” e é justamente isto. Surgido na década de 60, representa uma iniciativa que congrega responsabilidade social, sustentabilidade e competitividade para pequenos e médios produtores.
Contribui para o desenvolvimento sustentável ao proporcionar melhores condições de troca e a garantia dos direitos para produtores e trabalhadores marginalizados. É uma alternativa concreta e viável frente ao sistema tradicional de comércio.
Os princípios que devem reger uma relação comercial considerada justa são:
1. Transparência e corresponsabilidade na gestão da cadeia produtiva e comercial;
2. Relação de longo prazo que ofereça treinamento e apoio aos produtores e acesso às informações do mercado;
3. Pagamento de preço justo no recebimento do produto, além de um bônus que deve beneficiar toda a comunidade, e de financiamento da produção ou do plantio, ou a antecipação do pagamento da safra, quando necessário;
4. Organização democrática dos produtores em cooperativas ou associações;
5. Respeito à legislação e às normas (por exemplo, trabalhistas) nacionais e internacionais;
6. O ambiente de trabalho deve ser seguro e as crianças devem frequentar a escola;
7. O meio ambiente deve ser respeitado.
2. LOWSUMERISM
Praticar o lowsumerism é ser mais consciente e consumir menos. O movimento envolve uma junção de, pelo menos, três atitudes simples: sempre pensar antes de comprar, buscar alternativas de menor impacto para os recursos naturais – como trocar, consertar ou criar -, e viver apenas com o que é necessário.
No dia a dia, a atuação de alguns movimentos e marcas fortalecem o lowsumerism. O movimento maker, por exemplo, busca aproximar as pessoas de ferramentas e conhecimentos para que elas possam colocar sua criatividade e habilidades em prática, construindo os mais diversos tipos de objetos ou projetos.
No marketing, o foco passou a ser o consumo de produtos locais, redes de colaboração entre pequenos produtores e a economia compartilhada. A própria tendência estética minimalista, presente no design e no mundo da moda, integra a gama de movimentos diretamente envolvidos com o consumo consciente.
A causa também é urgente para o meio ambiente: somente nas últimas três décadas, um terço dos recursos naturais da Terra foram consumidos. Para reverter a situação e garantir um futuro sustentável, a transição entre o consumo e aquilo que precisamos deve se tornar real.
O lowsumerism será capaz de transformar para valer o estilo de vida das pessoas. Mas não se desespere: essa mudança não acontecerá de maneira abrupta: as alterações virão aos poucos, até porque não é possível praticar um rompimento completo do modo de vida atual. A transição pode não ser simples, mas é primordial que aconteça, primeiro, em sua consciência.
3.CONSUMO RESPONSÁVEL
Consumo responsável significa adquirir produtos eticamente corretos, ou seja, cuja elaboração não envolva a exploração de seres humanos, animais e não provoque danos ao meio ambiente.
Isto pode ser feito através de:
Compras corretas — favorecendo produtos eticamente corretos e realizando negociações baseadas em princípios no bem comum, e não só na satisfação de interesses individuais, permitindo a negociação para o interesse próprio apenas para perpetuar algum bem comum além deste interesse.
Boicotes morais — a compras e negociações que vão de encontro à proposta anterior.
Consumo sustentável — o consumo feito interagindo com o nosso planeta, produtos orgânicos são fundamentais, como também produtos recicláveis ou reutilizados.
4. CONSUMO CONSCIENTE (VER POST)
5. CONSUMO LOCAL (VER POST)




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